Atenção: tudo o que segue diz respeito à China continental. Hong Kong e Macau operam sistemas de imigração próprios, portanto um visto M, Z ou R não tem validade alguma na fronteira das duas regiões administrativas.
Quando não é preciso visto
A isenção unilateral de visto alcança hoje cerca de 50 nacionalidades, e o Brasil está entre elas: desde 1º de junho de 2025, o portador de passaporte comum brasileiro entra sem visto, com permanência limitada a 30 dias, e a política está prorrogada até 31 de dezembro de 2026. As finalidades cobertas são amplas — turismo, negócios, visita a familiares e amigos, intercâmbios e trânsito. Na prática, isso elimina a burocracia das viagens curtas: dois dias de reuniões, ou uma fase da Canton Fair, não exigem mais agendamento em consulado.

A isenção tem limites, porém. O visto continua obrigatório quando você:
- ultrapassa o teto de 30 dias;
- vai exercer atividade remunerada;
- prevê idas e vindas frequentes e prolongadas;
- realiza algo que o agente de imigração interpretaria como trabalho.
O 31º dia sem visto no passaporte já configura irregularidade. Em qualquer roteiro que chegue perto dessa linha, solicitar o visto antes sai mais barato do que resolver depois.
Visto M: reuniões e negociações
A viagem comercial que não cria vínculo empregatício na China pertence a esta categoria.

Subtipos e janela de entrada
O visto M é emitido em três formatos — entrada única, dupla ou múltipla — e cada um carrega dois prazos independentes. O primeiro é a janela de validade: 3, 6, 12 ou 24 meses. O segundo é a permanência: 30, 60 ou 90 dias. Assim, “M-3-30/60/90” descreve um período de três meses em que a entrada pode ocorrer em qualquer data, cabendo ao consulado — e não ao viajante — fixar quantos dias aquela entrada garante. Para importadores que visitam fornecedores ou emendam fases de feira além dos 30 dias, o M de múltiplas entradas com validade de até 1 ano costuma ser a escolha mais prática.
Duas condições liberam o formato de múltiplas entradas: ter usado ao menos um visto chinês nos últimos cinco anos e protocolar pessoalmente, já que há coleta de biometria — dados retidos por cinco anos.
Documentos e a carta-convite
O pacote reúne cinco itens: passaporte, formulário preenchido, foto, uma carta-convite emitida por empresa comercial chinesa e a comprovação de que a visita é de fato comercial — contratos, correspondência, agenda de reuniões. Esse último elemento pesa mais do que os solicitantes imaginam, porque a finalidade declarada é confrontada com a real na chegada. Quem atua como pessoa jurídica individual substitui a carta do empregador por extrato da empresa e comprovação de saldo em conta. Vale lembrar que documentos brasileiros costumam exigir tradução juramentada para inglês ou mandarim.
Visto Z: assumir um emprego na China
O emprego se apoia em um único visto. Sem o visto Z — ou o visto R, tratado adiante — não existe caminho legal para constar da folha de pagamento de uma empresa chinesa.

Permissão de trabalho e autorização de residência
A sequência começa no empregador, não em você. Pelo sistema do MOHRSS, a empresa solicita a permissão de trabalho e recebe a Notification Letter of Foreigner’s Work Permit (notificação de permissão de trabalho para estrangeiro); o visto Z é emitido contra essa notificação, jamais antes dela. O visto resolve a travessia da fronteira — e a partir da entrada começa a correr um prazo: 30 dias para comparecer ao Public Security Bureau local e convertê-lo em autorização de residência. Prorrogação nunca fez parte do desenho, porque desde esse momento o status passa a ser sustentado pela autorização de residência, emitida pelo prazo do contrato.
A documentação de apoio consome tempo próprio — atestado médico, além de diploma e certidão de antecedentes criminais, ambos legalizados. Na prática, reserve de 2 a 3 meses para a cadeia completa.
Z1 e Z2
A divisão é puramente de duração. O que passa de 90 dias cai no Z1 e desemboca em autorização de residência; trabalho limitado a três meses é Z2. Nenhum dos dois escapa da permissão de trabalho — o que muda é por quanto tempo o status resultante dura.
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Visto R: talento e especialistas escassos
O R é a categoria reservada a especialistas seniores e talentos excepcionais, e o ingresso nela se decide por pontuação, não por cargo. Os candidatos são classificados em A, B ou C num sistema de pontos, e é essa classificação que define a duração da autorização de residência.

É na faixa A que as vantagens se concentram: a análise anda mais rápido, a legalização de documentos fica mais leve, e uma autorização de residência de até cinco anos é concedida logo na primeira solicitação, com validade de visto que pode chegar a 10 anos. A família acompanha com mais facilidade — cônjuge e filhos podem obter residência pelo mesmo prazo.
M, Z e R lado a lado
| Visto M | Visto Z | Visto R | |
|---|---|---|---|
| Perfil típico | representantes, sócios, compradores | contratados na folha de uma empresa chinesa | especialistas seniores, profissionais escassos |
| O que cobre | reuniões, negociações, feiras | emprego sob contrato | emprego sob contrato |
| Trabalho remunerado | não | sim | sim |
| Duração do status | 30–90 dias por entrada | prazo do contrato, via autorização de residência | residência de até 5 anos, visto de até 10 |
| Permissão de trabalho | não | sim, obtida antes pelo empregador | sim, obtida antes pelo empregador |

Como escolher
Trabalhe de trás para a frente, a partir de dois fatos da viagem — quanto tempo, e se alguém dentro da China vai lhe pagar:

- visita breve, sem trabalho executado → entrada sem visto, ou visto M;
- emprego com empregador chinês → Z;
- expertise sênior e mudança de longo prazo → R.
⚠️ Importante: o visto M não carrega direito ao trabalho. Exercer atividade sem visto Z ou R sujeita a pessoa a multa de RMB 5.000 a 20.000 e, em casos graves, a detenção de 5 a 15 dias além da multa (art. 80 da Lei de Entrada e Saída), com possibilidade de repatriação e impedimento de nova entrada por 1 a 5 anos. O empregador, por sua vez, vai parar no cadastro de contratantes irregulares.
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Prazos, custo e recusas
Reserve no mínimo três semanas para o visto de negócios antes do embarque. O visto de trabalho é outra ordem de grandeza — conte com 2 a 3 meses, já que a permissão de trabalho precisa estar garantida antes mesmo de o processo do visto começar. O que você paga depende da nacionalidade e do número de entradas pedidas; quando o pedido passa por um CVASC, a taxa do centro de atendimento se soma à taxa consular, e múltiplas entradas custam mais do que entrada única. Quanto às recusas, as causas se repetem: erros no formulário, finalidade declarada que não bate com a viagem, carta-convite ou garantia que nunca chegou, e histórico de irregularidades em vistos anteriores.
“O erro mais caro de um empresário é tentar trabalhar com um visto de negócios. As semanas economizadas ao pular o processo do Z viram repatriação e fronteira fechada. O tipo de visto tem que corresponder à atividade real, não ao que é conveniente.”
— Sergey Konon, consultor de imigração para a China
Reuniões e negociações ficam com o M, emprego com o Z, talento e mudança de longo prazo com o R. Para estreitar a escolha bastam duas respostas: quantos dias você vai passar no país e se vai trabalhar enquanto estiver lá. Defina primeiro o caráter da viagem, escolha a letra correspondente e mantenha a finalidade declarada idêntica à que você de fato vai cumprir.
Perguntas frequentes
Viagens de negócios de sócios e representantes de empresa ficam no M. Quando um empregador chinês convida um especialista estrangeiro para trabalhar, a letra correta é Z. O R atende profissionais de qualificação sênior e pressupõe contrato de trabalho firmado.
A categoria M. Ela foi desenhada para visitas comerciais — fechar acordos, encontrar parceiros, inspecionar fábricas, comprar equipamentos, participar de feiras como a Canton Fair — e é emitida com base em convite da parte anfitriã. Não confere direito ao trabalho.
Sim. O emprego legal se constrói sobre o visto Z, e tanto a permissão de trabalho quanto a autorização de residência são emitidas a partir dele. Na prática a ordem é fixa: o empregador emite o convite, o funcionário entra com o visto Z e a empresa então protocola os documentos junto às autoridades.
Dois grupos: profissionais no topo de sua área e especialistas em ocupações nas quais o país enfrenta escassez. A categoria existe como via preferencial para expertise de valor incomum para a economia, e normalmente se espera do candidato alta qualificação somada a um contrato já assinado.
Não. Atividade de negócios é permitida — participar de reuniões, conduzir negociações; emprego não é. Como a finalidade declarada no pedido pode ser confrontada com o que o portador realmente faz no país, quem assume um emprego precisa do visto Z.
Hongkong
China